Olavo de Carvalho: um exemplo (anti)católico [THREAD]
Nos é comum nos dias atuais ver um legado deixado pelas ideias filosóficas e políticas de Olavo de Carvalho. Muitos o tomam como um exemplo católico a ser seguido, por suas teses anticomunistas e seus comentários políticos. +
Entretanto, os pensamentos deste homem foram (e são) terrivelmente nocivos para a fé católica e para o exemplo que um católico deva seguir moral ou politicamente. Suas doutrinas e visões de Deus e da religião são modernistas, e nenhum católico pode segui-las. +
PRIMEIRA QUESTÃO: O que é o modernismo São Pio X, comentando deste heresia, escreve: "[...]a ninguém causará pasmo ouvir-Nos defini-lo, afirmando ser ele a síntese de todas as heresias"[1]. +
O modernismo é um fruto da evolução do pensamento do catolicismo liberal, posto em anátema alguns anos posteriores à Revolução Francesa. +
A doutrina modernista perverte o sentido que temos da doutrina religiosa e da Revelação. Sabemos bem que Deus se revelou para os homens, e assim deu a nós a capacidade de conhecê-lo. Nisto, a Revelação é algo que vêm de fora do homem, como é de nosso saber. +
Estabelecido esse conceito, podemos tomar o modernismo como um oposto direto ao que é a doutrina e a Revelação. Partindo disso, Deus não mais se revelaria ao homem de modo externo, mas de modo interno e imanente, como fruto de um sentimento e necessidade do homem de se ter Deus.
Nisto, o conhecimento do homem sobre Deus viria através de uma experiência interior e pessoal do homem para com a divindade que se manifestaria por essa experiência pessoal. São Pio X, tratando desta questão, escreve: [2]
Nisso, as diferentes religiões não seriam nada menos do que diferentes manifestações da mesma divindade, sob experiências diferentes e pessoais de cada homem, e portanto, todas seriam válidas, por serem fruto deste sentimento de necessidade do homem em encontrar Deus. +
Portanto, tudo aquilo que referir-se-ia à religião por dogmas e revelações externas seria uma invenção humana das comunidades religiosas, ao ponto de dizer que os dogmas são também uma invenção meramente humana que não são providas de inspiração divina. +
Nisto, se pode negar toda a doutrina católica em pouco tempo. Ao seguir esta doutrina, caímos em vários erros graves, como a gnose (trataremos disso depois), do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante [3]. +
Feito isto, podemos definir o modernismo como uma negação da existência de doutrinas e dogmas e da Revelação, o que é totalmente contrário à doutrina católica, e torna-se a pior das heresias, por dar margem para a validação e afirmação de todas sob esse relativismo.
SEGUNDA QUESTÃO: Olavo de Carvalho, "o modernista filósofo"
Muito se pensa de Olavo de Carvalho como um pensador de índole católica. O mesmo, diversas vezes, teceu críticas ao Concílio Vaticano II e à modernidade, o que dá a muitos uma impressão de tradicionalismo (no bom sentido da palavra) por parte do mesmo.
Entretanto, é necessário fazer um comparativo entre declarações de tal cunho para com o que este homem realmente pensava e ensinou durante sua vida.
Tratando do modernista filósofo, São Pio X mostra a manifestação desta doutrina sob o aspecto filosófico: [4]
Ainda, citando o Denzinger, encontramos uma condenação expressa às doutrinas modernistas apresentadas na encíclica Pascendi Dominici Gregis e o decreto Lamentabili Sine Exitu, condenando-as sob a excomunhão late sententiae: [5]
Tal declaração é tão provida de objetivas condenações, que é impossível questionar a infalibilidade da mesma. Dito isto, exponhamos agora os pensamentos de Olavo de Carvalho para com o caráter de conhecer a Deus: [6, 7, 8, 9] +
A proposição de Olavo sobre o conhecimento do homem para com Deus se encaixa de modo gritante para com a condenação do modernista filósofo definida por São Pio X. Vemos que o termo "modernista filósofo" entra bem para a figura que aqui tratamos. Ensina também o Vaticano I: [10]
A proposição de Olavo sobre o conhecimento do homem para com Deus se encaixa de modo gritante para com a condenação do modernista filósofo definida por São Pio X. Vemos que o termo "modernista filósofo" entra bem para a figura que aqui tratamos.
Segue ainda, em materiais distribuídos pelo mesmo as teses acerca da negação da doutrina: “No Evangelho tem doutrina? Não tem doutrina nenhuma, tem uma narrativa.” [11]
“Você não vê uma exposição doutrinal no Evangelho inteiro. O Evangelho é uma primeira narrativa de um fato, e só.” [12] “Pelo lado cristão, é preciso ter tido muitos concílios e ter estabilizado um certo corpo de doutrina(…)” [13]
Em outras ocasiões, o mesmo declara: [14]
O modernismo, como vimos, caminha no sentido de negar, reinventar ou evoluir os dogmas ou suas concepções, e é condenado por tal quididade. Quanto aos dogmas, diz Olavo: [15, 16]
Tais declarações acerca de Nossa Senhora não são somente escandalosas, mas também heréticas e completamente em desacordo com o que conhecemos da Revelação e dos ensinamentos do Santo Magistério.
Bastando de exposições de sua doutrina modernista acerca dos dogmas e da revelação, partamos para a próxima.
TERCEIRA QUESTÃO: GNOSE E INDIFERENTISMO RELIGIOSO
Olavo, em suas escandalosas declarações, sempre deixou patente o caráter agnóstico e modernista das mesmas. Como é de saber de muitos, o mesmo participou de seitas islâmicas, em especial a Tariqa Maryammiyya, de Frithjof Schuon. +
Olavo haveria depois rompido com o mesmo, saindo da organização. Entretanto, ainda muito tempo depois, o mesmo manteve a mencionar os membros da seita como fontes bibliográficas admiráveis e louváveis para seus escritos e trabalhos, +
tal qual René Guenon, Jean Borella e Rama Coomaraswamy.
O mesmo o faz em uma postagem em seu Facebook: [17] Ainda, mesmo tendo declarado-se brigado com tal turba, o mesmo sempre seguiu nos anos seguintes a elogiar suas doutrinas, repletas de gnosticismo perenalista:
























