Pergunta para o pessoal da literatura brasileira: existem romances brasileiros maximalistas e, se sim, quais são? Esclarecendo que não é romance grande, muita página, é maximalista em tudo, com turbilhão de coisas, mil referências, essa pegada.
@lucasescrevinha Acredito que talvez As Meninas, da Lygia Fagundes Telles, aproxime-se disso. Apesar de não ser grosso e de ser introspectivo, é cheio de referências a eventos, pessoas , obras da época em que foi escrito, fazendo quase que um panorama do período.
@NiltonResende No que estou buscando, nem de perto é o caso desse romance, muito interessante por outros motivos. Não basta ter referências, é preciso haver camadas sobrepostas e haver cruzamentos não hierarquicamente organizados. É zona mesmo.
@lucasescrevinha grande sertão do rosa, panamérica do agrippino, catatau do leminski
@merlponti1 Esses foram mencionados. Há que se ver em alguns casos. Mas um desses aí é do meu total desagrado.
@lucasescrevinha Avalovara dos Osman Lins? nunca li, mas o pouco que vi me parece encaixar.
@daniel__k1 Cheguei a considerar aqui, mas não me convenci de meus próprios argumentos a favor dele. Uma que não é tão massivo assim. Outra que, apesar das várias referências, ele tem aquele formato de vórtice que conduz a um certo centro. Mas vai saber...
@lucasescrevinha Esse é pouco conhecido, mas talvez te interesse: "Arranha-céu", de Eloy Pontes. E a obra completa do Adelino Magalhães, que é contista (mas e daí?). E também tem um tal de Lucas Lazzaretti aí, que o @jantonho gosta bastante e que parece ter essa vibe maximalista aí.
@felipemp93 @jantonho Opa! Agradeço pelas indicações, ainda mais quando são vindas de um cara que escreveu uma tese sobre um romance desses. Sobre a parte que me toca, eu diria que não fiz nada disso (ainda)
@lucasescrevinha Uns que me indicaram tempos atrás (mas ainda não li pra conferir) são Centopéia de neon, de Edival Lourenço, e outro bem recente, "Um mal-estar fundamental", calhamaço de 1400p de Álamo Enfant.
@shirukaya Um mal-estar fundamental é um que pode estar nesse "gênero". Ainda não li, mas agradeço por lembrar.
@lucasescrevinha Só Ariano me vem à cabeça
@victorlacerdab Também pensei nele. É grande, cheio de ida e vinda e tem um milhão de entradas e saídas.
@lucasescrevinha Uma pergunta sobre isso Lucas, vc acha plausível a leitura de q os romances maximalistas sejam de alguma forma, uma releitura dos grandes livros de narrativa moldura, tipo decamerão e as mil e uma noite?
@VitorGo85910138 Essa pode ser uma forma de análise do gênero. Mas não acho que seja necessária. Revisitar a tradição literária pode ser algo realizado mesmo em um livro sem características maximalistas.
@lucasescrevinha http://www.ccar.com.br (não sei se é bom, mas dá pra dizer que é maximalista)
@zumbipacas1 Opa. Valeu a indicação. Mas de cara tem uma epígrafe com Roberto Marinho, aí complica a nossa vida.
@lucasescrevinha quais são exemplos em geral de coisas maximalistas? há um verbete etc sobre maximalismo como gênero? é uma qualificação? na música esse termo chafurdou.
@henrique_iwao Aí que está, não é um gênero, exatamente. Mas, para fins de comparação: Pynchon, Cartarescu, Arno Schmidt, Miquel de Palol, Los Sorias do Laiseca, The Recognitions, Antonio Moresco, algo do Barth, do Delillo. Vai por aí.
@lucasescrevinha Pornopopéia de Reinaldo Moraes? Distrito Federal, de Luíz Brás
@lucanabico Gosto desse. Gosto mais dos primeiros dele, pra ser sincero. Mas acho que a putaria fica mais no nível da putaria e não chega a ser a putaria que descentraliza tudo, como o que estou procurando.
@lucasescrevinha talvez 'a folha de hera' ou 'a longa história', ambos do reinaldo santos neves
@Pedro_Lucas Boas sugestões. Anotado aqui.
@lucasescrevinha Siameses do Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira, da Kotter Editorial, que, aliás, acaba de publicar outro livro gigantesco (que não posso atestar a qualidade), o "Um mal-estar fundamental".
@eholouis Tenho que ler esse para saber. Mas é um candidato forte.
@lucasescrevinha Será que o "Ana em Veneza", do João Silvério Trevisan, não estaria próximo desse formato ( tomando o Pynchon como referência)?. Lembrando que a "Macunaíma", do M. Andrade, e "Memórias sentimentais de João Miramar" , do O. de Andrade, também contêm os elementos que você listou
@MacedoRodrygo Não li esse do Trevisan. Mas meu palpite é que não. É maiorzinho, sim, mas parece ter o eixo bem ajustado num centro organizador e, portanto, vertical. Já os modernistas, não vejo isso não.
@lucasescrevinha Para não ser repetitivo com os romances já citados, será que o magnífico "Crônica da casa assassinada" não entra? Porque para mim, seria meu favoritaço "Avalovara".
@Avalovara13 Ambos são maravilhosos e, na minha opinião, encapsulam um aspecto do gênero romance de forma única. Mas não vão exatamente por essa linha.
