Durante seis décadas, Warren Buffett comandou a Berkshire Hathaway e criou um império de US$ 1,2 trilhão. Agora, aos 94 anos, ele finalmente passa o bastão. Mas quem é o sucessor escolhido para ocupar seu lugar? Siga o fio e conheça a história do Greg Abel.🧶
Warren Buffett transformou uma simples tecelagem em um império trilionário. Durante 60 anos, sua estratégia de valor elevou as ações da Berkshire Hathaway em mais de 5.500.000%. Uma performance quase mítica, que supera de longe o próprio S&P 500.
Uma ação da Berkshire valia centavos quando Buffett assumiu. Hoje, vale centenas de milhares de dólares. O “Oráculo de Omaha” virou sinônimo de paciência, disciplina e visão de longo prazo — pilares que poucos executivos conseguiram replicar.
Mas tudo tem um fim. Aos 94 anos, diante de uma multidão em Omaha, Buffett anunciou sua saída da presidência da Berkshire Hathaway até o fim de 2025. É claro, ele foi ovacionado, mas em meio aos aplausos, uma pergunta ecoava: quem será seu sucessor?
A resposta veio com uma espécie de trocadilho inevitável: será que Greg será “Able” (capaz) de manter esse legado? Gregory Edward Abel é o escolhido. Um nome discreto, mas de confiança total de Buffett, que o vem preparando silenciosamente há anos.
Canadense de 62 anos, Greg Abel nasceu em Edmonton, Alberta, em uma família de classe média. Formado em contabilidade pela University of Alberta, começou a carreira na PricewaterhouseCoopers antes de migrar para o setor de energia na CalEnergy.
Foi na CalEnergy que Abel aprendeu a negociar aquisições, cortar custos e crescer com disciplina. Em 1999, a empresa comprou a MidAmerican Energy — e Abel foi alçado à liderança. Um ano depois, a Berkshire compraria a MidAmerican e entraria fortemente no setor de energia.
Greg se destacou por seu estilo analítico, foco operacional e postura low-profile. Buffett notou seu talento e o colocou à frente da Berkshire Energy. Sob seu comando, o braço energético da holding multiplicou os ativos e se tornou um dos maiores dos EUA.
Em 2018, Buffett deu o passo decisivo: nomeou Greg Abel vice-presidente da Berkshire Hathaway, responsável por todas as operações fora do setor de seguros. Era o prenúncio da sucessão. “Greg entende nossos valores. Ele é sensato, focado e confiável”, diria Buffett.
Discreto no estilo, Abel evita holofotes. Seu escritório é simples. Ele raramente fala com a imprensa. Prefere reuniões técnicas a apresentações públicas. Segundo colegas, é implacável nos detalhes, mas leal e justo nas decisões.
Seu maior desafio agora será manter o ritmo de aquisições e gerir o vasto portfólio de subsidiárias — de seguradora Geico a sorveteria Dairy Queen, de ferrovias a fábricas de móveis. E, claro, dar um destino ao caixa colossal de US$ 348 bilhões herdado de Buffett.
A primeira reação do mercado foi de dúvida: as ações da Berkshire caíram 5%. “Parte da magia se perde”, disse um analista da Bloomberg. O mercado sabe que Buffett era mais que CEO — era símbolo, história viva, escudo de confiança.
Mas como de costume, Buffett não hesita. “Não vou vender nenhuma ação. Zero. Greg fará um trabalho melhor do que eu”, disse. Foi mais que uma bênção: foi uma transferência de fé. E para quem conhece Buffett, isso vale mais que qualquer voto do conselho.
Resta saber se Abel conseguirá não repetir Buffett — mas honrá-lo do seu jeito. Seu desafio não é ser o novo Warren, mas manter viva a filosofia que o tornou o maior investidor da história. E isso, como ele bem sabe, exige tempo, humildade e convicção.
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