🚄 É a maior compra de sempre de novos comboios para a CP e acho que vale a pena contar parte da história. Começamos em Nov 2019, quando foi assinado o Contrato de Serviço Público (CSP) da CP com o Estado por 10 anos, ao qual vinha anexado um plano de investimento. 🧵 (1/13)
No plano de investimento apenas estavam previstas: - 22 automotoras regionais, cujo concurso tinha sido lançado em Jan 2019; - 30 automotoras urbanas para a L. Cascais. O @PNSpedronuno era Ministro desde Fev 2019 e o Nuno Freitas era Presidente da CP desde Jul 2019. (2/13)
Eu acabara de entrar para o Gabinete e ficou logo claro que o que estava previsto no CSP era muito insuficiente. Comecei a trabalhar em cenários de afetação de MC. No início de Verão, tinha uma primeira versão do Plano de Investimento em Material Circulante até 2030. (3/13)
Neste plano, previam-se as aquisições de: - 62 automotoras elétricas urbanas (34 para L. Cascais, 4 para L. Sado, 12 para reforço da L. Sintra e 12 para reforço dos Urbanos do Porto), mais 36 unidades de opção (para serviços Cascais - Cintura, L. Leixões, etc.) (4/13)
- 12 comboios de alta velocidade, mais 14 de opção, para reforço de oferta no segmento de Longo Curso. Neste altura, ainda não era certo que as LAV, desde logo a Porto - Lisboa, teriam condições de avançar, mas era claro que a frota dos Alfa era muito insuficiente. (5/13)
- 55 automotoras elétricas regionais para substituir as 2240. Houve a preocupação de reduzir a diversidade de MC da CP. As unidades urbanas e regionais, por exemplo, eram todas de 70 m, podendo circular em dupla (140 m) na L. Cascais e fazer comboios até 210 m, em tripla. (6/13)
Quando a CP começou a desenvolver os cadernos de encargos, tornou-se rapidamente claro que os comboios urbanos e regionais poderiam ser duas variantes do mesmo modelo, com vantagens de escala e de planeamento. Foi aí que nasceu o concurso das 62+55 = 117 (+ 36 de opção). (7/13)
Trabalhamos com a CP e com consultores externos para montar um caderno de encargos que beneficiasse as propostas que tivessem um projeto industrial associado, que construíssem os comboios em Portugal. Todas as propostas apresentadas deram resposta a esse critério. (8/13)
O concurso foi lançado em Dezembro de 2021 com um preço base de 819 M€ (uns redondos 7 M€ por unidade, estimativa que se manteve inalterada desde as primeiras versões do plano). A adjudicação foi feita 2 anos depois, em Dezembro de 2023, e depois vieram as impugnações. (9/13)
Passaram, portanto, quase 4 anos entre o lançamento do concurso e a assinatura do contrato, 5 anos e meio desde que este investimento começou a ser planeado. É uma ilusão pensar que é possível recuperar o tempo perdido e "antecipar" o que quer que seja. É o que é... (10/13)
Importa clarificar que, apesar do que tem sido anunciado, o Governo ainda não autorizou a despesa com as 36 unidades de opção. Também ainda falta lançar, o quanto antes, a compra dos comboios de Alta Velocidade, que passaram a ser 14 + 12 de opção. (11/13)
O plano de 2020 também já estimava o que seria necessário adquirir entre 2030 e 2040. Apenas para substituição do existente, serão, pelo menos: - 68 automotoras elétricas urbanas; - 10 comboios de alta velocidade; - c. 20 locomotivas elétricas; - c. 140 carruagens. (12/13)
Portanto, até 2040, Portugal precisa de, pelo menos, 2000 M€ em novos comboios. Com este concurso dos 117 comboios, conseguimos atrair uma fábrica para Portugal. O material circulante de que precisamos nos próximos 15 anos será mais do que suficiente para a manter aberta. (Fim)
